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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Parabéns avó querida

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Avó minha,
Diria o teu ainda bilhete de identidade que hoje farias 94 anos. Há muito que esse teu bilhete de identidade ficou guardado a um canto. Porque partiste deste plano terreno para algo tão mais tu. Não é por não apagamos as velas que não te sinto. Ou que não te sussurro nas noites. O teu corpo pode ter adormecido, mas a tua alma vive-nos.
Acordei. O sol que nascia quente como era o teu coração cheio de amor. Vesti roupa azul claro como tu tanto gostavas, de cor claras, cores de vida. Os ténis flores como as flores que ainda nascem na tua quinta que sem ti é quase pó de eternas memórias. Talvez não seja assim nada de muito especial, mas tu adoravas tanto o brilho da vida e é a minha forma de olhar o céu e veres que trago em mim as tuas ternas heranças. Ser a luz de mim mesma.
Acordei e sorri pelo tanto que me tens ensinado à minha alma. Na altura estava de olhos tão fechados na escuridão que nada via. Partiste e obrigaste-me a viajar dentro de mim para encontrar a minha luz. Pequenas coisas, inimagináveis no teu tempo e agora tão naturais. Algures vais vendo o meu crescer. Tantas vezes difícil, mas a força do nosso setembro é aliado de conquistas.
Percebi na tua distância como tudo é tão efémero. Como cada dia de vida importa de ser vivido. E vivo cada momento por mais insignificante que possa parecer. Sorrir. Dançar. Respirar. Aprender a unicidade de viver.
Dizias tu que não era hoje o teu dia. Que te tinham registado nesses anos 20 dias depois de teres nascido. Que o teu sol nasceu no mesmo dia em que eu atrasadamente quis nascer. Talvez por isso, agora no caminho que percorro de descobrir quem sou, perceba como estamos interligadas de uma forma sublime, despercebida a tantos de segredos nossos. O que aprendo é tanto do que sabias. As respostas que anseio da tua imensa sabedoria não podem ser ditas. Ensinas-me a ouvir-me e procurar essas respostas em mim. És mestre neste meu universo.
Hoje, o dia em que te daria os parabéns, foste tu que do alto do paraíso, me deste a mão. Levaste-me até ao rosto dos olhos mel-outono. Aquele que me faz lembrar o amor. Tal como tua avó querida. Não sei, nem desespero por compreender as coincidências. Talvez fosse só para me dizeres, para sentir. E eu senti o coração a apertar-se de emoção naquele rosto que como tu me obriga a ser como sou. A encontrar a minha centelha divina. Gosto-vos tanto.
Parabéns minha eterna avó. Onde quer que estejas, continua a ser esse espírito de amor.

Imagem : Internet

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