Terça-feira, 13 de Novembro de 2018

Patricia Posner "O Farmacêutico de Auschwitz"

Mais uma daquelas leituras de descrições tenebrosas do que aconteceu no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. “O Farmacêutico de Auschwitz” é um relato chocante e arrepiante de como os gigantes da indústria farmacêutica alemã apoiaram o regime nazista, fizeram fortunas com as câmaras de gás (o saque dos pertences dos prisoneiros que levavam consigo ouro e joias sem saber que iam ser despojados dos seus bens) e usaram cobaias em experiências macabras, muitas que possivelmente deram origem a muitos dos medicamentos que hoje usamos.

Patricia Posner relata-nos de forma fria e cruel uma faceta ainda do pouco que possa existir para ser conhecido do campo da morte que foi Auschwitz. Como farmacêuticos, médicos e enfermeiros se renderam ao horror da ciência de Hitler, responsável pela morte de milhões de vítimas. Victor Capesius é um farmacêutico de um desses gigantes da indústria farmacêutica e como a sua ida para Auschwitz vai torna-lo num cúmplice ativo no extermínio dos judeus. Como o seu papel foi determinante na morte de milhões de inocentes.

Um livro que resulta de uma minuciosa e longa investigação sobre a vida deste homem, Victor Capesius, farmacêutico romeno representante da Bayer que, em 1943, aos 35 anos, se juntou a SS nazista e rapidamente se tornou o farmacêutico-chefe de Auschwitz . É nos narrado desde o seu início de vida até entrar em Auschwitz, contando o seu percurso profissional. Baseada em relatos verídicos, a autora confronta-nos inúmeras situações em que desprezamos veemente este homem. Desde estar na seleção que se fazia à entrada do campo de concentração e não sentimentos e enviar conhecidos para as camaras de gás. Não ouvir as súplicas de pessoas que o conheciam antes. O saque dos dentes de ouro dos exterminados. O ser portador da chave que dava acesso ao gás para as malditas câmaras de gás.

Acordamos e relembramos a realidade do pós-guerra com os julgamentos dos nazis, mas que em tantos e tantos casos não foi feita a devida justiça perante tamanha atrocidade que foi feita naquele período. Exemplo disso é Victor Capesius, que embora tenha estado preso, não foi punido como devia ter sido por todas as mortes que provocou. Nem que seja para exemplo das gerações futuras para que fique perpetuado nessas sentenças este período vergonhoso da nossa história.

Um relato de um homem que passou a viver a fingir que não foi parte ativa da morte de inocentes. Uma fuga à consciência. Uma fuga que todos nós devemos evitar porque relatos assim têm de ser lidos para que nos lembremos do foi aquele campo de concentração e para que nunca mais nenhum suspiro de vida seja silenciado num campo da morte como este o foi.

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publicado por Ana Cristina Gomes às 22:43

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