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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Sonhos de chuva

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Manhã. A chuva na janela. Cai sem parar. A lembrar dias de inverno. Como a alma faz, neste momento, uma travessia no meio de uma tempestade que não sabemos quando abrandará. Quando poderemos voltar, o que quer que isso signifique.
As gotas da chuva. As lágrimas. Pois sonhei-te no meu sono. Lembrar-me de ti e a chuva são sinónimo de uma lágrima que o coração verte. Mesmo que tenha siso um sonho, demasiado real como sempre. Como se andássemos de noite a vaguear pelos nossos locais. Sem aquela multidão de pessoas que agora fugiu desses locais.
Sonhei que tinhas voltado. Olhei para o relógio e eram as minhas horas de te ver. Era verão de noites tardias. De céu claro. Mas não voltaste. Nem eu voltei lá. Aqueles lugares serão sempre memórias tuas. Agora estamos longe dessas nossas estradas. Dói pensar se alguma vez voltaremos lá como antes. A dúvida da incerteza que sempre me perseguiu e se tornou o meu pesadelo deste agora. A minha ferida precisa de ti. Ainda não aprendeu tudo para ser forte como tem de ser. Podes voltar?!
Eras tão tu no sonho. Uma impossibilidade de me confundir com outro alguém. Ninguém é igual a ti. Porque ninguém é igual a ninguém. És único. A nitidez da tua alma. A intensidade do teu rosto. Mas era apenas mais um sonho teu em tão poucos dias. A dor que duplica.
Tantos dias que fingi ignorar-te nos meus pensamentos. Tantos dias que não te escrevi. Estranhaste a minha ausência de palavras e vieste abanar-me durante a noite para não te perder dentro de mim nesta confusão de tempo que vivemos? Vieste pedir-me, não sei por que motivo, que não me esqueça de ti? Sabes, vais ser das poucas pessoas que vou levar para sempre em mim. Marcaste-me profundamente. Fizeste-me crescer. Obrigaste-me a amar-me a mim mesma. Por isso, não tenhas medo, mesmo no meio deste isolamento forçado, vives no meu coração. Só quero mesmo que estejas bem e que depois da tormenta passar continues a ser essa pessoa bonita que és e que os teus olhos mel-outono nunca percam essa cor de amor que têm. Afasta qualquer sombra de escuridão de ti. E se precisares podes sempre vir falar comigo nos sonhos. Estarei sempre lá para ti.
Manhã. A chuva na janela. Cai sem parar. Sonhei contigo e abri ainda mais o meu coração à ferida da saudade que tenho de ti.
Manhã. A chuva na janela. Cai sem parar. Às vezes as saudades também choram. Mas não chores sozinho. Choramos os dois mais logo nos nossos sonhos.

Imagem : Internet