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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Uma agenda de 2020 vazia

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Guardo a minha agenda de 2020.
Dizem-me as páginas em branco que 2020 foi um ano vazio de encontros e conversas.
Fins de semana em casa sem atividades, workshops, palestras ou lanches. Sem partilhas de histórias. Sem gargalhadas.
Um ano de zoom e outras plataformas para tudo. Passeios solitários. Sem caminhadas em grupo.
Ir aos sítios, lugares e visitas com as devidas regras de segurança. Máscara e desinfectar são armas.
Amizades com quase um ano de solidão. Sem abraços. Gelados adiados.
Dez meses de teletrabalho sem chás ou cafés de pausa na copa.
Um ano de calças de ganga e sweats ou t-shirt para as voltas matinais.
Treinos diários do ginásio no meu quarto. Sem os encontrões que tanto gostava.
Sobrinhas que nascem e ainda não as abracei.
Avós de coração que só vi uma vez pela janela desde março.
Um Natal com poucos pratos na mesa. Sem almoços ou jantares em grupo. Sem passeios pelas ruas iluminadas. Um 2020 sem a Festa de Natal da Comunidade Vida e Paz, cheia de amor e afetos. A cantina que não se abriu para voluntários e convidados. 

Um 2020 que nos pediu respeito pelo nosso corpo, por nós e pelos outros.
Cumpri o meu dever. Pensei em mim e nos outros. Segui as restrições. Estive em recolhimento quando me foi pedido. Distanciamento social foi o mantra do ano.
Para que juntos pudessemos superar este desafio. Para que juntos minimizassemos o colapso iminente da economia com tantos negócios a fechar e o desemprego a aumentar.
Agora vou ter de estar outra vez num confinamento geral porque tantos por aí mostraram zero respeito por si e pelo seu semelhante. Grandes convívios. Natais com mesas cheias de cadeiras. Ajuntamentos desnecessários. Excessos.
Há medidas que não fazem sentido, digo-o e repito. Mas já não devíamos ter bom senso e perceber que cada um de nós tem de fazer a sua parte (ou se o governo - seja que partido for - disser atirem-se da ponte, vai tudo fazer isso?).
Não ia custar tanto assim, o trabalho individual na nossa responsabilidade social. Somos uma única sociedade num único planeta. Parece que muita gente ainda não tem consciência desse pequeno pormenor, mas isso deve ser irrelevante.
Vejo que o egoísmo centrado ainda está espalhado por aí. Gestos tão simples que a todos ajudaria que parecem sacrifício para tantos.
Entramos na Era de Aquário e a continuar assim, ainda vamos levar tanto na cabeça do universo. Quando podia ser um pouco mais suave. Se assim todos fizéssemos por isso.
Um novo confinamento e a minha agenda de 2021 continua em branco com encontros reais.
Continuo a cumprir a minha parte. Assim o farei por respeito e amor por mim e pelo outro. Mas esses outros seres sem amor ou respeito. Que farão eles?
Continuaremos em confinamento até aprendermos da forma mais dura e penosa.
E poderia ser tão mais simples.

Imagem : Internet

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