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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Uma noite de novembro

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Uma daquelas noites de novembro que te lembram as noites primaveris existentes antes deste estranho vírus nos ter batido à porta e se ter instalado sem vontade de ir embora. Remanescências de verbos conjugados num pretérito perfeito. Que é um viver imperfeito.
Aquelas tardes em que o corpo não esqueceu os passos e que numa vontade própria lá foi andando nessa normalidade de outrora. Não fossem as máscaras e uma fluência reduzida de pessoas a circular, parecia tudo igual ao que era nos tempos idos.
Esta noite que lembra a minha ferida que a dor de olhar para ti continua a mesma. Que a dança das tuas mãos são punhais silenciosos que me atiçam a solidão. Sair para a noite desabitada de sorrisos. Vazia de mim. Caminhar lentamente como se não houvesse pressas de chegar a lado nenhum. Porque não há amor à minha espera. Ir à deriva pelas ruas, numa bebedeira de tristeza. Como tantas outras vezes. Que se repetem num massacre de emoções.
Uma qualquer noite de novembro e nada de ti mudou em mim.
E como numa outra qualquer noite vou ali dormir no meu desterro de amor.

Imagem : Internet