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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Vamos de quarentena!

É tempo de irmos de quarentena. Eu. Tu. Todos nós. Mas permitam-me as próximas palavras do meu mais puro egoísmo de por instantes ter os meus momentos de pânico. Os meus medos a gritarem comigo. Afinal tenho direito ao meu pânico. A ansiedade a turvar a minha racionalidade. A situação atual permite-me a esse luxo de “panicar”!
Vamos de quarentena. Aquela que nos vai salvar e que nos vai reestruturar quem somos. Aquela que tanto nos vai ensinar de nós. Aquela que nos obriga a parar.
Vou eu e vais tu. Na minha casa. Na tua casa. Longe um do outro. Sem saber o dia em que matarei as saudades de ti que ainda agora estão a nascer em mim. Não é que te queira nessas ruas. Antes pelo contrário, e permitam-me, novamente, este meu egoísmo. És daquelas pessoas demasiado especiais, daquelas que mais quero protegidas. Não que sejam tempos de hierarquizar pessoas, mas entre nós há algo tão mais superior a este vírus, que seria anormal não seres dos primeiros rostos a quem aperto toda a minha esperança de que fiques bem. Mesmo que passe uma semana ou um mês sem olhar para ti, apenas me interessa que estejas bem. Onde quer que seja essa tua quarentena. Serão tempos de olhares para ti. Para esses teus medos que te rondam a alma e que às vezes me mostras. É tempo de estares contigo.
Hoje numa fuga rápida pelas ruas quase desertas desta minha cidade, tive tanta, mas tanta vontade de chorar. Tive antecipadamente saudades dos nossos fins de tarde. Das minhas correrias malucas e que me sossegavam. Tive a certeza de que sempre que podia estava lá para te ver porque não sabia o amanhã. E hoje, agora, não me arrependo por um segundo, ver-te ser a maior prioridade minha. Estou de alma descansada. Porque fui lá. Porque segui sempre o meu coração como tanto me ensinas a fazer. Hoje, agora, percebo como nas últimas semanas tive tantos dias de ti. Como o universo me dizia vai, e eu ia. Mesmo doente de emoções eu fui. Nunca hesitei em ir. Porque esse universo maior sabia o que estava a chegar e queria que eu guardasse todos os fragmentos do teu rosto. Como te agradeço por me ajudares a ouvir o universo e ouvir-me a mim. Hoje, agora, percebo aquela tua luz de domingo de manhã. Uma tranquilidade que tanto vou precisar nos próximos dias.
Confesso que tive tanta vontade de chorar e neste momento as minhas emoções choram-me. Não é o isolamento que tanto me vai sufocar. Não é ir não ao trabalho que me vai desorientar. É não te ver, é isso que mais me vai doer!
O meu medo é não saber se estarás bem nessa quarentena. Mas eu sei que vais estar, o universo ainda não nos terminou aquilo que viemos aprender um com o outro.
Aquele teu sorriso de ruas quase desertas. O meu sorriso preferido, ali fugaz, instantâneo.
O sorriso que tanto me tem sustentado os dias, voltou a sorrir-me, hoje, antes desta quarentena de distâncias.Porque vou precisar de o resgatar vezes sem conta nos negros dias que se instalam. Como o teu sorriso é cura!
Vai de quarentena e fica bem.
Encontramo-nos nos nossos sonhos!
 
Imagem : Internet

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