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O sopro mágico das palavras

O sopro mágico das palavras

Voltaste

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Afinal o meu sonho tido há uns dias não foi loucura de um isolamento que já nos veste demasiado o corpo. Vieste dizer-me que ias voltar. E voltaste com o sol-esperança no horizonte. Mas eu não posso voltar a essas ruas por onde andas. Ainda não. Só falta um pouco. Que tanto será esse pouco que me falta. Que espera desesperante será essa nos meus dias. Já a sinto corroer-me em mim. A desfazer-me nesta folha de papel.
Agora é que este isolamento me vai doer. Esta tranquilidade que sentia evaporou-se no teu voltar. Sinto os vidros da janela a estilhaçarem-se no meu coração que sangra em saudades tuas. A chave na porta é chumbo e impede-a de se abrir. Para eu fugir. Não sei para onde. O universo iria indicar-me o teu caminho como tantas outras vezes já o fez. O ar já me começar a sufocar no meu respirar porque voltaste. O medo por ti cresce-me. Porque te quero bem e seguro. Protegido desse maldito vírus. Que inquietude tempestuosa que sinto por ti.
Nestes dias que chegam não posso apressar-me e fechar o computador de tarefas que em nada me fazem felizes para os teus olhos mel-outono me serem força. Não posso correr. Tenho de ficar em frente ao computador nas minhas outras criatividades que me são paixão. Fecho os olhos e vejo-te e acalmo-me por uns segundos até o coração se me apertar numa extrema violência de quem precisa desse vício que me és.
Nesse nosso eterno silêncio que só nós conhecemos, disseste-me que voltaste. Tal como nesse sonho que não esqueci. Arrepiaste-me os sentidos. Estremeceste-me as emoções. Vieste gritar-me para me ouvir sempre. Para não menosprezar os sonhos. Porque as respostas estão dentro de nós. É só aprender a escutar a nossa alma. Tens-me ensinado tanto nisso de ouvir-me. Que alerta tão grande foi este que me deste.
Voltaste para uma nova normalidade que se instala na nossa sociedade. As máscaras que te vão encobrir o sorriso. O teu e o meu. O sol que te ofusca os olhos. O teu rosto quase escondido. Camuflado para uma guerra silenciosa que nos transforma. Mas a alma que é pele do teu corpo jamais poderá ser ocultada. Afinal as nossas almas encontram-se nos nossos sonhos à nossa revelia. Reconheceram-se antes dos nossos rostos se encontrarem. Há uma eternidade de conhecimento recíproco entre nós que não são umas meras máscaras que vão conseguir apagar.
Voltaste. Também queria tanto voltar, só para te ver, apenas isso e nada mais. O resto pode esperar.

 

Imagem : Internet